PDL 26 Capital Europeia da Cultura
Integrado na programação da PDL26 – Capital Portuguesa da Cultura, com direção artística, coreografia, encenação e seleção musical de Milagres Paz, Limbo é um espetáculo que dialoga com a dança, a música, a palavra, numa representação do estado do mundo atual, onde a guerra, a artificialidade, a mundialização, a solidão e o isolamento, a violência e a ausência de empatia e de amor pelo outro — lugar da diferença — viabilizam o desenvolvimento de sociedades (não)humanas, iguais na arquitectura, no abandono da natureza, na robotização de formas de pensamento, de atitudes, de comportamentos automatizados que evidenciam competências cada vez mais distantes do caminho individual do conhecimento , da sabedoria e da criatividade. Eis as novas formas de servidão humana e que fazem de cada um de nós habitantes de um «não-lugar», conforme definiu Marc Augé. Que nos resta então, senão o limbo, esse espaço entre a individualidade e a automatização, entre a guerra e o armistício, entre a agonia e o júbilo? Com os sentidos, os sentimentos, as palavras e os movimentos paralisados, sobra-nos a vida suspensa entre o passado que conhecemos e um futuro que tememos. Neste espectáculo, a ambivalência esperança-incredulidade, a par da nossa comum impotência, tem um nome: limbo. É a nossa condição. — Ângela de Almeida