«Embora mantivesse o vocabulário próprio de uma aula de aeróbica, a dança ganhava complexidade […]. O trabalho dos intérpretes exigia tanto da mente como do corpo.»
Brian Seibert / The New York Times
★★★★★
«A coreografia minimalista e repetitiva de Martens é engenhosa e desperta no público um profundo sentimento de respeito e de envolvimento com os bailarinos. Ao fim de onze anos, THE DOG DAYS ARE OVER é já um clássico.»
Francine van der Wiel / NRC
Criado por Jan Martens em 2014 e recriado em 2025 com um novo elenco, THE DOG DAYS ARE OVER tornou-se uma das obras mais emblemáticas do coreógrafo belga, após uma extensa digressão internacional com mais de cem apresentações. Inspirando-se numa afirmação do fotógrafo Philippe Halsman — segundo a qual o ato de saltar faz cair a máscara social e revela a verdadeira identidade da pessoa — a peça utiliza o salto como dispositivo coreográfico e humano.
Em cena, oito bailarinos enfrentam uma coreografia rigorosa, matemática e extremamente exigente, construída sobre sequências contínuas de saltos executados em aparente uniformidade. Entre repetição, exaustão e resistência física, os corpos procuram manter a precisão e a sincronização, mas acabam inevitavelmente por revelar fragilidade, esforço e individualidade.
Através da sua forma radical e da intensidade física imposta aos intérpretes, a peça questiona a relação entre arte e entretenimento, bem como o olhar do público perante o sofrimento e a exposição dos corpos em cena. Mais de uma década após a estreia, a questão levantada por Jan Martens permanece atual. Até que ponto o espectador consome o esforço físico como espetáculo?