Exposições · Funchal

Koset Hernandez : This is Not a Body

segunda, 10 ago 2026 · 08:00 · CCIF - Centro Cultural e de Investigação do Funchal

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Pretendemos explorar as possibilidades de hibridização entre a impossibilidade de ouvir sons desconfortáveis e a impossibilidade de ver corpos desviantes — corpos que não se enquadram nas categorias binárias pré-estabelecidas pelo sistema cis-heteropatriarcal. Que significados se consolidam entre práticas sonoras ruidosas e corpos não categorizáveis? O que é um corpo categorizável? Procuramos caminhos inexplorados para a exploração de corpos alterados através da agitação sonora externa. Investigar o corpo que existe no meio, entre duas ou mais coisas. Indagar sobre formas de representação do corpo-objeto e brincar com o olhar subjetivo que sobre ele repousa.

Como estabelecemos limites ou consensos que delimitam estes olhares, as nossas formas de ser vistos e até mesmo de tomar certas decisões? Tomar uma decisão ou outra como prática corporal pode levar à paralisia, ao colapso ou à pausa. Estar no limite, na dúvida, no queer. Algo que está fora do lugar. Como é que o prazer e a dor se confundem um no outro? Um terceiro espaço, não binário.

Linhas gerais Ruído + sexualidade + agência na tomada de decisões

● corpos desviantes + performatividade + corpos desviantes + agitação material-sónica

Metodologia

O projeto é concebido como uma iniciativa muito primordial, tanto na descoberta das nossas formas de investigar e colaborar em conjunto, como na fase inicial em que a própria investigação se situa. Uma prática num estado germinal, em que a metodologia não é imposta como uma estrutura fixa, mas como uma possibilidade aberta. A proposta consiste em reunir os corpos dos participantes no mesmo espaço físico, onde o próprio encontro se torna o dispositivo.

O método assenta na exploração sensorial: uma busca deliberada para agitar, tensionar e deslocar o corpo através de estímulos sonoros desconfortáveis. O som é abordado não como linguagem, mas como matéria que desestrutura — uma vibração capaz de afetar e direcionar os corpos para territórios ainda não habitados, ainda não domesticados. Longe de procurar respostas fechadas, esta prática metodológica está orientada para a revelação de necessidades latentes, para aquilo que o corpo ainda não sabe que deseja ou precisa. É uma metodologia empenhada no devir, no ensaio como forma de conhecimento e no corpo como superfície de inscrição crítica. Aberta a ser vivida coletivamente.

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