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SUMMARY:Márcia
DESCRIPTION:/// Música: Márcia 12 de setembro | 21h30 | 4\,50€ | Todos os p
 úblicos Talvez poucos se lembrem. Talvez muitos não saibam. As primeiras v
 ezes que ouvimos a voz de Márcia\, em disco ou em concerto\, foi a bordo d
 e um grupo de dança à moda antiga. Era dela a voz de candura nostálgica qu
 e se ouvia nos temas da canção ligeira e romântica com que o Real Combo Li
 sbonense encenava um regresso a uma época em que a música portuguesa revel
 ava tiques tímidos de twist\, yé-yé e rock’n’roll. Canções que\, à época d
 a sua criação original\, eram banda sonora para dançar e ser adolescente n
 um país que tentava enganar (por umas horas) os muros altos que se erguiam
  à sua volta. Em 2008\, quando João Paulo Feliciano montou o Real Combo Li
 sbonense\, era só a nostalgia dessa música\, como que libertando-se de um 
 tempo que já não existe\, que se ouvia Márcia interpretar em “Sensatez” ou
  “O Fado É Bom para Xuxú”. É mais ou menos aqui que começa a parte mais vi
 sível desta história. Márcia já tinha passado pela típica primeira experiê
 ncia juvenil nos palcos da música com a banda Ana’s Blame. Foi com esse pr
 ojeto que participou na coletânea Bandas de Garagem\, em 2001\; foi na seq
 uência dessa gravação que apareceram os primeiros convites para se juntar 
 ao catálogo de multinacionais que não demoraram a identificar um talento e
 m bruto que precisava apenas de meia oportunidade para se manifestar\;(…) 
 Assim que Márcia voltou de um estágio de cinema documental em Barcelona\, 
 Feliciano tinha à sua espera o Real Combo Lisbonense e a editora Pataca Di
 scos. Com o Real Combo pôde começar a pisar os palcos dividindo a atenção 
 e não sofrendo com os holofotes (que a deixavam a arder de vergonha quando
  se apresentava em palco sozinha com a guitarra). Foi um tempo de maturaçã
 o que ajudou Márcia a preparar o seu primeiro momento de revelação com o l
 ançamento\, também em 2009\, de um EP na então Optimus Discos – projeto ed
 itorial dirigido pelo mesmo Henrique Amaro que a chamara a integrar a comp
 ilação Novos Talentos Fnac 2009. Eram cinco canções simples\, despidas\, v
 oz e guitarra a bastarem-se uma à outra\, o sinal inicial de que o seu per
 fil de cantautora se alinhava com a melhor tradição dos singer-songwriters
  norteamericanos\, as palavras fugidas de qualquer narrativa demasiado con
 creta\, mas envolventes a ponto de sentirmos que éramos puxados para a sua
  intimidade. Eram cinco canções que soavam a cinco segredos. Um deles cham
 ava-se “A Pele que Há em Mim”. E é\, de facto\, uma questão de pele. Volta
 ndo a ouvir essa canção em estado virginal\, num tom confessional\, de que
 m acabou de acordar para um novo dia ainda a processar emocionalmente os a
 contecimentos da véspera\, os pés ainda mal fora da cama\, essa capacidade
  de Márcia se meter debaixo da pele de quem ouve e agitar os cordelinhos d
 as emoções é tão flagrante que não há como ter defesas para o seu canto e 
 o encantamento que produz. É dessa simplicidade de se meter por atalhos\, 
 de não complicar canções que são tão garbosas que não precisam de disfarce
 s alguns\, que vem muito do seu poder de sedução. (…) Não há em si nada de
  industrial ou de escrita fácil e de mera reprodução de fórmulas ganhas. H
 á antes o respeito por cada tema e um investimento tão pessoal e cuidado q
 ue se torna impossível não nos sentirmos íntimos dela e não nos convencerm
 os que partilhamos consigo os nossos dias. Como só acontece com os maiores
  escritores de canções. Gonçalo Frota (Excerto) 2026\nBilhetes/info: https
 ://teatrocinegouveia.pt/evento/marcia/\nMais em https://www.nocartaz.pt/ev
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